A imagem e a arte como transformadoras da pessoa com deficiência

A imagem e a arte como transformadoras da pessoa com deficiência
Certamente que já há alguém estudando o “felômeno”: há anos acompanho casos de “malacabados” que possuem suas vidas reviradas a partir do momento que se ligam a alguma atividade artística como a dança, a fotografia ou o teatro.
 
Por ter mil possibilidades, a arte dá à pessoa com deficiência abertura de novas interpretações sobre si mesma, amplia a visão em relação a sentimentos oprimidos e mostra que, muitas vezes, é caretice sentir-se oprimido por suas diferenças.
 
Do mesmo modo que os esportes têm “libertado” amarras de gente que não anda, não vê, nem nada, o universo artístico tem permitido mudanças de mentalidade e ampliando espaços de pensamentos em relação a formas de ser, de se manifestar e de se valorizar.
 
Recentemente, minha amiga Diana Sabbag, 35, que é cadeirante, resolveu causar!
 
Sempre vencida pela timidez e uma certa opressão interna que continha sua vaidade, acordou “da pá virada”, como se diz lá na minha terra: primeiro, entrou para um grupo de teatro, o Oficina dos Menestréis, mais recentemente, se voluntariou para fazer um ensaio sensual… ui!
 
“Fui a ‘Sandy’ da minha escola. Muito careta e muito certinha. Não abria a boca pra nada. Apresentar trabalhos na escola ou falar qualquer coisa, como por exemplo, responder uma simples pergunta do professor, já me deixava rooooxa e suando frio!”
 
Quando comecei a fazer teatro eu já não era tão tímida, mas ainda tinha vergonha e achava que cadeirante JAMAIS poderia dançar. Nunca me imaginei dançando ou em um palco. Entrei para a Oficina e quebrei esse tabu, joguei essa vergonha no lixo. O teatro me levou para a dança, pois faço aula de dança sobre rodas também.”
 
Beleza, mas daí para fotografia “pelada” tem uma distância grande, não?! É grande e se fortalece o movimento das mulheres com deficiência que querem (e devem) se expressar como são, que querem ter a abertura de falar ao mundo que suas formas são o que são e elas se gostam e se valorizam assim, que não atender a um padrão não as chateiam nem as reprimem (mais).
 
“A questão da igualdade e do amor próprio me levou a fazer as fotos. Jamais imaginei um dia fazer esse tipo de trabalho, mas senti tanta segurança e senti que era a hora de fazer algo novo. Mostrar para a sociedade que a pessoa com deficiência faz coisas que pessoas sem deficiência fazem e são lindas e charmosas da mesma forma.
 
Fiz para mim e para os outros. Para mim porque precisava de um empurrãozinho para aceitar o excesso de gostosura e tentar me ver de outra forma. Para os outros, a intenção foi “acordar” para entender que todo o mundo é bonito da forma que é, gordinho, magrinho, cadeirante, amputado, sem deficiência… A beleza é única, assim como cada ser humano é!”
                          diana2
Diana não encara o ensaio como um protesto, mas como uma maneira de manifestar leveza e comprometimento com a diversidade do que considera belo, bem resolvido.
 
Para ela, também são claros os efeitos que a manifestação artística provocaram em sua vida pessoa, em sua maneira de se relacionar com o mundo e com si mesma.
 
“Comecei a me valorizar mais, fiquei muito mais vaidosa, passei a prestar atenção em cada detalhe: olhos, boca, a ver a cadeira como um complemento do meu corpo, perceber a minha postura nela, enfim, as fotos me ajudaram a fazer uma autoavaliação e encontrar a minha beleza. E isso me fez muito mais feliz!”
 
Formada em letras e cursando pós-graduação em Libras (a língua brasileira de sinais), ela, em princípio, não demostra nenhum receio de julgamentos atravessados, de críticas a sua postura e até de avaliações desagradáveis à exposição de sua imagem.
 
“Criticas existem e não são poucas, mas a partir do momento que você sabe o que e porquê fez, não há razão para dar atenção. Sei quem sou, sei os meus princípios, quem convive comigo sabe quem é a Diana. Não fiz algo vulgar, nada que agrida ao outro. Quem critica ou julga é porque não entendeu o trabalho feito ou precisa se aceitar, pois geralmente criticamos no outro o que não aceitamos em nós!”
Jairo Marques*, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de pessoas com deficiência e de cidadania. Aqui, você encontra histórias de gente que, apesar de diferenças físicas, sensoriais, intelectuais ou de idade, vive de forma plena.
 
Fonte: assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br –  Imagens de arquivo pessoal
Felipe Ramon

Amo Tecnologia. Atuo na Area de Programação, Designer Gráfico, Web Designer e Técnico em Computadores. Trabalho na Loucurarte na Equipe de Apoio (Diretor de Midias Sociais)! #Conhecimento é Poder.

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